[Mês do Dr. Seuss] The Grinch (PS1)


A transformação de um personagem no imaginário coletivo é algo que lembra muito um cabo de guerra.

Vejam Mickey Mouse, que era um malandro de bom coração e ligeiramente malino, que se tornou o protótipo do bom mocismo até a esterilização total em Clubhouse. A companhia mudou sua personalidade e o público geral meio que aceitou. O Mickey dos quadrinhos é diferente, no entanto, e caso esse Mickey seja mudado, o público de quadrinhos não vai aceitar.

Embora ninguém mais leia gibi hoje, exceto um grupo seleto de gente de bem que acessa a Gibiteca e similares.

Com o Grinch, algo parecido aconteceu. No livro, ele é um completo desgraçado, pestilento, com um aspecto tão repugnante que te lembraria aquele seu tio torcedor do Ferroviário que trabalha há 40 anos no mesmo emprego morto e que há pelo menos 20 não vê um brilho no olhar ou um sabonete.

No especial animado de Chuck Jones, ele ainda é o completo desgraçado do livro, só que pelo menos ele parece tomar um banho ou dois, o que é compensado por uma péssima higiene bucal.

O filme de 2000 com Jim Carrey exagera completamente as características do desenho, ao invés do livro, e toda a referência que se tem hoje é o filme de 2000, porque o social media da Dr. Seuss Inc é completamente desregulado mentalmente.
Não posso debater com resultados tho.

A mesma coisa dá pra ser aplicada com o Cat in the Hat, mas é assunto pra outro dia.

O importante é que, entre o filme de 2000 e o especial de Chuck Jones, há um elo perdido. Um jogo de PlayStation 1 publicado por ninguém menos que a Konami, de todas as empresas.

E é um jogo tão repugnante quanto o Grinch do livro.

[Mês do Dr. Seuss] Os Sneetches (Netflix, 2025)


Dr. Seuss não era um mero escritor para crianças, e se você já leu alguma coisa dele com atenção, notaria isso.
Ou se já é leitor antigo da Casa do Chapéu.
...
É uma forma carinhosa de se referir ao SRT, caso não tenha notado.

O Grinch tem uma mensagem bastante óbvia, mas com uma criatividade ímpar na narrativa, e eficaz pra sua época. O Lorax consegue explorar a consciência ecológica de uma maneira inteligente sem soar preachy (ao contrário do filme da Illumination). E tudo isso com histórias interessantes para crianças, e que tinham um valor educativo real em relação ao idioma.

Porém, o velho Geisel era mais que isso. Ele passou anos como cartunista político, e ao contrário dos Latuffs e Maurícios Ricardos de hoje, ele era de fato inteligente e sabia como provocar o pensamento crítico sem ser arrogante, retardado, ou os dois.

E pra turma que adora dizer que "toda arte é política", vão brincar de pingue pongue no inferno. Mas, The Sneetches é uma das obras mais políticas que Ted já fez, só que as comparações referentes à perserguição dos judeus na Seunga Guerra ficam mais na superfície, com uma mensagem geral apolítica e aplicável de maneira mais ampla.

De novo, baita escritor habilidoso.

Enfim, a Netflix tentou adaptar esse livro.
...
PUNCHLINE!

O Surreal Mundo dos Livros Disney


Desde que pôde, Walt teve bom olho pra merchandising. 

Mesmo nos anos 20 existia uma pancada de produtos com o rosto do Mickey, Donald, Branca de Neve, Três Porquinhos e outros personagens. E embora animais antropomórficos animados não sejam tão propensos à literatura, houveram livros Disney desde que o chão era chão. Raios, debativelmente a primeira aparição do Pato Donald foi em um livro, sobre a fazenda do Mickey cheia de personagens que eram aliterações com os nomes animais.

Pra se manterem relevantes, os livros Disney de hoje tentam fazer diversas gimmicks diferentes. Há os livros que expandem o universo de uma marca, como os livros das Fadas e das Princesas; há aqueles que são uma novelização do roteiro original do filme e que, assim como as tiras de jornal, mostram cenas ou elementos descartados do produto final; e às vezes são histórias novas que dialogam com os filmes em que se baseiam, de uma forma ou de outra.

Eu já mencionei alguns antes aqui no SRT, como o Twisted Tales (aqui com o fraco título de Um Conto às Avessas), que tem provavelmente as melhores releituras dos clássicos animados e que devia ser o tipo de coisa que a Disney devia botar nas telas ao invés dos remakes que não tem uma justificativa pra existir.

Até tem, mas é puramente mercadológica pra manter a IP original blindada pelas crescentes leis de domínio público. E é por isso que temos aquele desenho esquisito do Mickey de cara branca do Paul Rudish.

A idéia aqui é dar uma explorada sincera em vários livros Disney de várias épocas diferentes, de modernas e clássicas, e entender como eles expandem o universo dos filmese se o fazem com alguma idéia interessante... ou algum senso do ridículo.

E se não o fizerem, melhor ainda, é garantia de entretenimento de qualidade, pelo menos.


 

A Gata dos Meus Sonhos (UPA, 1962)



É irônico como a UPA ainda é referência, mesmo estando completamente falida.



Você achou que eu tivesse falando dos hospitais? Qual seu problema? Aquilo não é referência nem pro asilo mental de Bully. Tou falando sobre o estúdio de animação, a United Production Artists.

Seu ignorante! Pegue seu chapéu de cone e vá sentar no cantinho da sala!

A UPA era um estúdio mais focado numa estética moderna, mas que ao poucos foi perdendo um pouco da influência original, sobretudo quando o dono e um dos fundadores originais vendeu o estúdio pra um magnata cuja especialidade era fazer contratos e grana.

E é aí que entra Judy Garland, mas me adianto.


Fundado por animadores que saíram da Disney pós-greve, o estúdio buscava um estilo de animação completamente diferente do que Walt perseguia. Enquanto o velho Zé Valter refinava as técnicas de produção almejando o realismo, os desertores acreditavam que dava pra fazer algo mais minimalista e surrealista.

E eles precisavam, porque animação minimalista corta custos e eles não tinham grana pra funcionar direito, igualzinho a UPA.

E já que Chuck Jones inspirou boa parte da filosofia estética do estúdio, nada mais natural do que botar ele pra dirigir o segundo longa animado: A Gata dos Meus Sonhos (Gay Purr-ee), um filme que marca uma aposta final pra manter a UPA viva, que foi o resultado de um gerente que não ligava pra arte, um filme esquizofrênico que não sabe se quer atrair adultos, crianças, ou as duas faixas etárias, e ainda causou a demissão do Chuck Jones.

E also, o novo dono, Henry Saperstein, achou que colocar um star talent no longa atraria bundas nos assentos, e é por isso que é o único longa animado em que Judy Garland emprestou a voz.

Eu acho essa expressão piegas à beça, a propósito.

Sem mais delongas, vamos nos adentrar profundamente no mundo da arte moderna e políticas internas de estúdio, as duas coisas favoritas de toda criança entre 6 e 13 anos!

Yaaaay!

E se o Pato Donald fosse o Wolverine?

Capa da HQ "O Que Aconteceria Se... Pato Donald se Tornasse Wolverine" publicada pela Panini Comics, ao lado de um copo temático do Pato Donald.

Eu não sei por que demorou tanto tempo para a Disney fazer os crossovers em quadrinhos com a Marvel, mas a HQ Pato Donald Wolverine (da linha Disney What If…?) mostra que esses personagens, agora sob o mesmo teto, têm muito em comum.

Temos os irritadiços como Donald e Wolverine, o bom-mocismo heróico de Mickey e Capitão América, e até a broaca insuportável que não entende o trampo do namorado e é uma folgada que acha que tudo tem que ser sobre ela, como a Margarida e a Mary Jane do Sam Raimi.

Tá, quando eles compraram a Casa das Ideias, fizeram umas capas com alguns heróis inspirados em Tron para divulgar Tron Legacy (ironicamente), mas nunca teve uma colaboração mais profunda entre os personagens clássicos.

Talvez porque Bob Iger não queria assustar os fãs e o dono da Marvel na época era um sujeito meio esquisito, mas completamente homem de negócios. Fazer essa sinergia logo de cara era arriscado, era uma época diferente. Raio, eu lembro de gente com real medo do Zac Efron cantar em uma possível série dramática de Star Wars na época.

Seja como for, qualquer referência à Marvel era mais paródia, como já faziam antes. Tem uma história que o Mickey ganha superpoderes e tem até um editor de quadrinhos inspirado no Stan Lee, por exemplo. De cabeça eu lembro dessa, mas devem haver MUITAS mais.

Mas agora a Disney lançou essa série de one-shots integrando conceitos e storylines Marvel no Sexteto Sensacional, como comemoração aos 90 anos do Pato Donald e 50 do Wolverine.

O ponto é: o resultado é digno de tamanha fanfarra? Era necessário lançar uma história curta de cada vez? E o mais importante: quando vai chegar o encadernado que coleciona essas histórias em um único volume aqui no Brasil?

Eu não faço ideia, porque a Panini atrasou pelo menos duas vezes a entrega do meu Quarteto Fantástico, então hoje só vou comentar sobre o Pato Donald Wolverine e se os meses de espera na pré-venda valeram a pena.

Raio, é um gibi que saiu originalmente lá fora em 2024, por que ele ainda estava como pré-venda para mim em pleno 2025?

Kapan Komenta 52 - WarnerFlix é uma realidade; nos livramos de Kathleen Kennedy, e Enrolados AINDA vai ter um live action

No episódio de hoje, as notícias mais relevantes que eu não tive tempo de comentar antes. A Warner continuou o seu tradicional jogo de Escravos de Jó e foi aglutinada pela Netflix em uma fusão histórica de 82 bilhões de dólares. E já começaram com decisões ruins, incluindo uma remoção em massa de programação legado do HBO Max. Quais as reais intenções? É uma estratégia a longo prazo? É uma imbecilidade sem tamanho?

Além disso, estamos derrubando estátuas da Kathleen Kennedy, porque FINALMENTE ela vai deixar a chefia da LucasFilm com uns 10 anos de atraso. Com Dave Filoni e Lynwen Brennan assumindo o leme, discutimos o que muda para o futuro de Star Wars.

E para fechar, o projeto que todos achavam que tinha subido no telhado: Enrolados (Tangled) vai sim ganhar um live-action e o elenco acaba de ser revelado! Teagan Croft (Titãs) e Milo Manheim (Zombies) são os novos Rapunzel e Flynn Rider. Tem como salvar esse filme dado o histórico da Disney com remakes live action?

Prancer (Um Natal Mágico)


Imagina que cê foi na casa de algum parente, porque cê vai ajudar a organizar a ceia de Natal. Digo, quem vai mesmo são seus pais, porque não tem muito o que fazer, anyway.
Então cê resolve se derramar no sofá, assistindo seja lá o que tiver passando na TV.

O problema é que só tem jornal regional com reportagens esdrúxulas sobre… sei lá, a ação de Natal distribuindo giz de cera pros animais de rua. E aqueles talk show pra senhoras que já passaram dos 70 anos que geralmente envolvem um “talento” local que canta em um inglês quebrado acompanhado de um teclado sintetizador Yamaha ou Casio.

Mas cê tem que matar esse tempo com algo mais intelectualmente estimulante, então cê surfa pelos canais, torcendo pra achar qualquer coisa que seja mais interessante do que conversar com um abacate.

E aí cê encontra, nas profundezas daqueles canais escondidos entre a TV Aparecida e a TV Cultura, um canal (provavelmente o TV Metrópole), exibindo um filme de Natal que cê nunca ouviu falar, mas que parece ser diferente dos outros, por não ter as cores berrantes típicas natalinas, nem magia real em sua realidade, embora ainda lide com Papai Noel. E mais, é um drama… ligeiramente engajante, com alguns atores reconhecíveis.

Isso meio que aconteceu comigo algumas vezes, uma delas eu acabei vendo Thomas Kinkade’s Christmas Cottage, e em outra, Bela Adormecida da Goodtimes.

Exceto que Bela Adormecida não é uma história de Natal, mas não vem ao caso.

Enfim, Prancer (ou Um Natal Mágico, um título tão sem sal e genérico que devia levar alguém a ser demitido ou posto a ferros) se encaixa nessa situação.

O Que Assistir Durante o Natal


Eu não sei os costumes e tradições festivas da tua família, mas se for parecida com a minha em qualquer época dos últimos 30 anos, provavelmente envolve ter uma televisão ligada a qualquer momento do dia.

Pra uma criança em férias, ter a TV ligada era quase uma obrigação, até porque sempre tinha ALGUMA coisa passando, seja um filme de Natal, ou alguma programação especial, ou até seja lá o que a TV Cultura estivesse passando no momento. O importante era não deixar que o silêncio atrapalhasse nossos momentos em que cálculos e obrigações estudantis iminentes preenchessem nossas mentes.

E especificamente durante as noites do dia 24 em diante, era óbvio que a reunião familiar era constante, mas a maioria das famílias deixava a TV ligada como ruído ambiente. Elas não exatamente assistiam o que tava rolando, mas sim deixavam lá pra ter assunto pra conversar sobre, o que geralmente terminava com alguém ameaçando um parente com um utensílio de cortar o peru.

E é por isso que na minha família é tradição comermos pipoca no Natal, obrigado tio Leandro.

Enfim, como as emissoras de TV não fazem mais uma programação especial que preste (se é que ainda fazem, eu literalmente não sei), resolvi eu mesmo tomar as rédeas do entretenimento familiar natalino, e bolei uma sugestão do que assistir durante a festa de Natal e você tenta ignorar os parentes.

Eu acredito ser um bom equilíbrio entre clássicos conhecidos do público brasileiro, e outros que são clássicos lá fora e merecem um pouco mais de amor aqui. Também tentei equilibrar climas e humores, bem como tempo de duração.

E sim, é só uma sugestão, e alguns filmes não foram incluídos por serem batidos ou importantes demais. Não me encha o saco por não ter botado Esqueceram de Mim.

Aliás, quando disponível, vou deixar o link pro artigo original de cada filme ou especial comentado, caso cê queira ler com mais detalhes.


Sem mais delongas, CHRISTMAS!

Batalha de Versões: A Vida e Aventuras de Papai Noel (Life and Adventures of Santa Claus)


Eu confesso que não sou muito versado em toda a lore e aspectos históricos do Papai Noel. Eu sei que existem várias versões em vários países e culturas, mas sei pouco além do André o Gigante de Pére Noel em Young Rock, ou a série de filmes holandeses que eu nunca vi.

Como todo bom ocidental, eu conheço os aspectos básicos tradicionais e entendo que cada filme de Natal vai trazer alguma coisa diferente. Às vezes é mais fantasioso e etéreo, como Santa Clausthe Movie; às vezes é mais irônico em como eles colocam aspectos corporativos, como em Arthur Christmas e Santa Baby. E às vezes é uma mistura do mágico e sobrenatural com um pouco do aspecto corporativo, como em Santa Clause.

Mas geralmente, a figura do Noel é algo já estabelecido, não tem uma origem detalhada como um herói da Marvel. Exceto o criador do Mágico de Oz, L. Frank Baum, que bolou talvez a mais completa versão fantástica da origem do velho São Nicolau.

Mas hoje eu não tou aqui pra falar do livro… em grande parte. Se tu tiver curiosidade, tem pelo Project Gutemberg, mas também no Audible pra ouvir caso cê tenha o mesmo problema de foco que eu. Quando eu peguei tava incluído na assinatura do Audible, mas por ser em domínio público tem várias versões, escolhe a que for melhor pra ti. 

Anyway, o que é curioso é um livro natalino em domínio público do autor do Mágico de Oz ter só duas adaptações em audiovisual.
Qualquer produtor de TV querendo se agarrar ao emprego estaria salivando em poder adaptar um clássico de um autor clássico reconhecido por uma história que foi adaptada pela MGM nos anos 30. E ainda, sem ter que pagar direitos autorais! É praticamente dado de bandeja! É tipo adaptar livros clássicos em filmes Muppet, é uma fórmula óbvia demais pra que executivos façam.

O que torna essa história tão difícil de ser adaptada? Será um ritmo esquisito? Personagens estranhos? Dificuldade do público em digerir a história? Obscuridade?

Eu não faço idéia, mas aconteceu duas vezes, então eu vou comparar as duas versões.

O Point do Mickey - House of Turkey (House of Mouse)

 


E mais uma vez chegamos ao período de festas! Sobrevivemos a mais um ano, parabéns, dê um tapinha nas próprias costas!

E nada mais animador do que ver animações!

...essa frase era mais impactante na minha mente.


Na verdade, não, mas é que... é difícil escrever sobre Dia de Ação de Graças, pelo menos de maneira engraçada. Temos poucas tradições pra fazer piadas, geralmente a comédia se vem de elementos cotidianos que nem todo mundo compartilha, como o tipo de familiar que aparece pra importunar a gente.

E esse é o caso desse episódio de House of Mouse, que... é temático, mas basicamente toda comédia vem do mesmo lugar. Ainda bem que é House of Mouse, uma das melhores coisas que a Disney já produziu pra TV, com uma sala de roteiristas que sabiam o que tavam fazendo e tinham uma paixão genuína pelas IPs que lhe eram emprestadas.


Então, sem mais delongas, vamo dar uma olhada nesse episódio de mais uma série clássica que a Disney insiste em guardar nos cofres, ao invés de liberar no Disney+.


BOB IGER TRAFICANTE