O Surreal Mundo dos Livros Disney
Desde que pôde, Walt teve bom olho pra merchandising.
Pra se manterem relevantes, os livros Disney de hoje tentam fazer diversas gimmicks diferentes. Há os livros que expandem o universo de uma marca, como os livros das Fadas e das Princesas; há aqueles que são uma novelização do roteiro original do filme e que, assim como as tiras de jornal, mostram cenas ou elementos descartados do produto final; e às vezes são histórias novas que dialogam com os filmes em que se baseiam, de uma forma ou de outra.
Eu já mencionei alguns antes aqui no SRT, como o Twisted Tales (aqui com o fraco título de Um Conto às Avessas), que tem provavelmente as melhores releituras dos clássicos animados e que devia ser o tipo de coisa que a Disney devia botar nas telas ao invés dos remakes que não tem uma justificativa pra existir.
Até tem, mas é puramente mercadológica pra manter a IP original blindada pelas crescentes leis de domínio público. E é por isso que temos aquele desenho esquisito do Mickey de cara branca do Paul Rudish.
A idéia aqui é dar uma explorada sincera em vários livros Disney de várias épocas diferentes, de modernas e clássicas, e entender como eles expandem o universo dos filmes, e se o fazem com alguma idéia interessante... ou algum senso do ridículo.
E se não o fizerem, melhor ainda, é garantia de entretenimento de qualidade, pelo menos.
Ariel e a pérola da sabedoria
“Não julgue um livro pela capa”, é o que dizem. Porém, se você vai escolher um livro pra comprar, você definitivamente vai julgar a capa, e se fizer um trabalho ruim, provavelmente vai deixar passar algo que talvez lhe agrade. Raio, eu tenho uma edição de O Mágico de Oz cuja capa é rosa e amarela, com uma silhueta genérica de uma menina em perfil, e eu só prestei atenção porque alguém que tava comigo leu o título pra mim.
Em minha defesa, era a Bienal, aquele evento que lojas entulham pilhas de produtos encalhados e você tem que ter olhos de um caçador treinado pra achar alguma coisa que valha a pena.
Enfim, é certo de que só pela capa não dá pra ver o tipo de livro que vai ser. Em todo enredo, há um segredo, e só quem ler vai resolver.
Mas eu sou um homem simples. Eu vejo Ariel, eu presto atenção.
Essa bela capa preta com uma bela stock art (e não é todo dia que eu digo isso) chamou minha atenção justamente durante a Bienal, e talvez o preço de 15 conto tenha ajudado a se destacar entre os outros livros.
É uma história solta, sim, mas tem lá o seu lugar na lore da Pequena Sereia. Tem uma série animada inteira pra contar as aventuras pré-filme, e que é acompanhada por uma série em quadrinhos publicada, ironicamente, pela Marvel.
A propósito, a série da Pequena Sereia supostamente tá disponível no Disney+, mas aquele bando de tronxo botou a versão que passava no DisneyToon, com um zoom que preenche a tela widescreen, ao invés de manter o aspect ratio original de 4:3 quadrado como Deus planejou.
Gárgulas e Darkwing Duck tiveram o mesmo tratamento respeitoso, porque não outros desenhos da mesma época, como Pequena Sereia, Tico e Teco e os Defensores da Lei, e TURMADUPATETA?
E é por isso que eu me recuso a ver no Disney+, recebo minha dose de aventuras animadas oitentistas via outros meios, muito obrigado.
Seja como for, a história desse livro soa como se pudesse facilmente ocupar 3 a 4 episódios dessa série animada. Começa com Ariel meio entediada com a vida sofrida de princesa, blablabla, até que no meio das suas caças a tesouros humanos, ela encontra uma outra sereia chamada Nyssa, que rouba sua bolsa.
Após recuperar os pertences, Nyssa revela que ela mesma está em uma caça ao tesouro com várias pistas espalhadas que não consegue resolver. Ariel, sendo a Ariel, resolve ajudá-la em sua empreitada em busca da Pérola da Sabedoria, desvendando a História do povo sereiano e descobrindo as verdadeiras intenções de Nyssa.
Existem certas obras de maneira geral que servem como stepping stones pro crescimento. Cê não vai dar um jogo arcade como Willow pra um moleque que não tem costume de jogar, cê vai começar com algo mais simples, como Kirby. São jogos simples, divertidos, e com uma boa curva de aprendizado que não te pune tanto.
Ariel e a Pérola da Sabedoria funciona mais ou menos assim ao meu ver. É um livro bastante simples, com cenas bem descritivas, mas sem se deter em detalhes desnecessários, dando o suficiente pra que o jovem leitor imagine o que tá acontecendo e entenda os motivos do que tá acontecendo.
Ao mesmo tempo que é uma linguagem fácil, é um livro que realmente parece um livro, não tem ilustrações (embora um trabalho gráfico pudesse agregar valor), dá pra ler um capítulo ou dois por dia sem cansar. É um livro intermediário, bom pra crianças e pré-adolescentes ou jovens da faculdade egressos do sistema público de ensino.
Não, talvez esse livro seja complexo demais pra eles. De fato, eu temo que Dr. Seuss seja muito difícil pra eles acompanharem em alguns momentos.
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O livro usa e abusa de frases curtas, como se realmente se destinasse a um público bem, bem, BEM jovem. A maioria das frases poderia ter sido amalgamada em uma só, com o uso da nossa boa amiga, a vírgula. Não incomoda tanto, mas em algum momento você vai notar isso e vai começar a incomodar e talvez lembrar daquela propaganda que comparava o carro com câmbio manual com uma frase com um ponto final depois de cada frase.
Tem alguns momentos que a narração explica coisas pro leitor como se o leitor fosse um imbecil, algo que me cheira muito a nota de editor que subestima a capacidade de compreensão de jovens leitores. Coisas simples e óbvias, como porque as princesas não recebiam tratamento especial, poderiam ser melhor e organicamente explanadas em forma de diálogo.
No entanto, tem alguns pontos de construção de mundo interessantes. Em um momento, as sereias se perguntam o que é uma “escadaria”, o que… faz sentido, parando pra pensar. Mesmo os animais marinhos com pernas, como o Sebastião, costumam nadar ao invés de subir algum tipo de escada.
Não lembro se no filme original aparecem escadas em Atlantica em algum momento, mas é algo interessante de notar na próxima vez.
Há uma menção também a um idioma próprio das profundezas, mas… eles poderiam ter chamado de “profundês” ou algo assim. Sei lá se é limitação do idioma original ou do editor/tradutor.
E tem um momento em que ele descreve a preparação de um banquete, e o chef, que é um baiacu, prepara um patê de baiacu. É uma iguaria que só os baiacus sabem fazer.
…
Eu tenho TANTAS perguntas…
Seja como for, é um livrinho simples e divertido pra jovens leitores, ou pra quem gosta de universo expandido. Não expande tanto quanto eu gostaria, mas talvez eu seja mais visual e prefira os quadrinhos e a série animada mesmo, sei lá.
Mas o que você consegue ao misturar um livro como esse com… Goosebumps?
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Disney Chills Part of Your Nightmare
Você tem Disney Chills! E… é meio average. Não é tão assustador quanto Goosebumps, mas houve uma tentativa. E o que temos aqui também não é ruim pra jovens leitores.
A idéia de Goosebumps e outras histórias de terror pra crianças e adolescentes é um negócio que me fascina. Terror é um gênero que tem sido muito barateado tanto em história como em gimmicks, e esse tipo de história tenta ser algo assustador, mas sem ser traumatizante. Criar uma história assustadora sem usar sangue e violência é muito mais difícil, então eles apostam mais em atmosfera e conexão dos personagens com o público, às vezes pra passar uma lição de moral de maneira eficaz.
Eu genuinamente acredito que uma história dessas feita da maneira certa tem a mesma eficácia de um conto de fadas tradicional. Se não fosse a frouxidão da sociedade, A Máscara Amaldiçoada teria tanto valor em ensinar uma moral quanto Chapeuzinho Vermelho. E histórias como A Garota que Gritava Monstro são boas introduções a contos com plot twist, assim como Além da Imaginação.
Disney Chills tenta ser uma versão Disney disso, e… é divertido. Não é espetacular, mas cumpre seu propósito. Não sei se por ser o primeiro de uma série de sete livros é um sólido 7, e os outro melhoram. Mas ei, se quiser que eu faça um artigo ou vídeo ou seja lá o que inteiro dedicado a Disney Chills, é só colaborar com o SRT, fique até o final do artigo pra saber como!
Cada livro foca em um vilão e uma criança, que eu imagino se metam em alguma enrascada e os vilões fazem algum acordo com o protagonista pra livrar o mesmo da dita enrascada. Pelo menos é o plot que faz sentido com Úrsula, Hades e o Dr. Facilier, não sei o que raios a Cruella ou o Scar fariam.
Sobretudo porque são histórias urbanas e Scar é um raio de um leão.
Se bem que explicaria alguns shenanigans da série do Timão e Pumba.
Mas divago, vamo olhar Part of your Nightmare, que não se esforça em criar uma versão assustadora da I Want Song da Ariel.
A história conta sobre Shelly, uma guria com um nome óbvio que é fissurada em tudo que é água, sobretudo a vida marinha, mas ela tem medo de ser vista como uma NEEEEEEEEEEERD pelas suas novas amigas, Kendall e as gêmeas Arista e Alana.
Sim, são nomes de duas irmãs da Ariel. Não, o filme não existe nesse universo… até onde eu saiba.
Shelly é nova na cidade, e quer passar uma boa impressão pra manter as poucas amizades que tem. Durante um passeio da escola ao aquário onde seus pais trabalham, Kendall a desafia a jogar um copo de café no mar.
…Okay.
Relutantemente, Shelly assim o faz, mas é engolida por uma onda que… eu não sei bem como funciona esse aquário. Ok, elas tão numa passarela sem guarda corpo, aparentemente, e que dá vista direta ao oceano. Porque elas tavam lá ou porque isso sequer existe eu não sei, nunca fui num aquário assim.
Mas divago.
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O importante é que ela joga um copo de café no mar e é engolida por uma onda e quando é resgatada, tem uma concha Nautilus na mão.
Shelly dá de presente ao irmão mais novo como compensação por ela ter matado o peixinho dourado dele. Mas a concha a chama audivelmente, e ela a segue, porque se protagonistas tivessem senso de auto-preservação não teríamos história, e acaba tendo um encontro com Úrsula. A bruxa do mar então faz um acordo com Shelly, a menina vai ser a mais rápida nadadora da escola, conseguindo a aprovação de seus pares e a popularidade de seus colegas e o coração do menino ligeiramente bonito que meio que dá bola pra ela.
Kendall passa a ver Shelly como uma rival, e Shelly passa a lentamente se transformar em um peixe. Ou pelo menos meio peixe, mas não um meio peixe bonitinho igual a Ariel, mas mais parecido com aqueles inimigos de Castlevania.
A narrativa tenta ser assustadora em momentos certos, geralmente quando Úrsula aparece ou quando vemos algum produto de seu poder. O livro usa vários adjetivos que soam nojentos, asquerosos, ou que causam algum tipo de desconforto, o que funciona, mas sabe… livro de terror, nunca entendi.
Uuuhhh, as palavras vão te assustar uuuuhhhh
Mas o livro faz um bom trabalho em guiar o leitor em uma narrativa cujos personagens ele consegue se identificar ou pelo menos acompanhar. Shelly claramente faz coisas erradas e, assim como Ariel, torcemos pra que a gradativa transformação em Monstro da Lagoa Negra faça com que ela reveja suas escolhas e reverta a decisão com um arco de redenção.
Os diálogos são dinâmicos e os personagens são bastante arquétipos, sem se tornarem clichês, como muitos personagens de Goosebumps e Clube do Terror são.
É uma leitura fácil, com uma história interessante, que pode não ser eficaz em assustar, mas é um suspense que funciona pra jovens leitores.
Algum dia quando eu tiver lido todos os livros, podemos retomar a essa série e nos aprofundar em suas águas turvas e sombrias.
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Bravely (Valente - Um Sopro de Magia)
Como eu já deixei bem claro em vídeo, eu gosto da Merida e gosto do mundo que o filme Valente cria. E eu realmente queria que houvesse uma história que nos permitisse imergir no aspecto fantasioso como também no histórico da Escócia.
E se você viu esse vídeo, sabe que o jogo meio que faz isso, mas só em termos estéticos. O livro, porém, são outros quinhentos. Literalmente, esse raio de livro era absurdamente caro, mas adivinha só? Ele tá (ou pelo menos tava) de graça dentro da assinatura do Audible. Em inglês. E cada personagem tem um sotaque escocês diferente, então mesmo que cê seja fluente, fica avisado que leva um tempo pra se acostumar.
Eu literalmente passei um mês ouvindo o capítulo 4 voltando o tempo todo pra tentar entender certas coisas.
Eeeeentretanto, o livro finalmente foi traduzido e lançado no Brasil, então é um preço bem mais acessível, com o nome… Valente, um Sopro de Magia.
Pra ser justo, o termo Valentemente dito em voz alta não soa tão legal quanto Bravely. Eu ainda teria preferido assim.
Mas ok, o filme lidava com uma Merida adolescente que por causa de hormônios à flor da pele e que por não ler as letras miúdas, coloca em risco sua família e seu reino.
Se eu tivesse uma moeda pra cada princesa Disney ruiva adolescente que resolve assinar um contrato de uma bruxa sem ler as letras miúdas porcausa de uma discussão familiar, eu teria duas moedas.
O que não é muito, mas é estranho que tenha acontecido duas vezes.
O livro nos apresenta uma Merida mais velha, madura, e que ainda assim se vê no caminho da magia, quando, na noite de Natal, ouve batidas na porta e vai atrás do visitante no meio da neve, e descobre… o deus da destruição.
…exceto que ele não se parece com o Decade, mas com o Louco da Turma da Mônica.
…o livro descreve ele com cabelos loiros e meio longos e ele é literalmente o deus da destruição, é natural que eu imagine ele como o Licurgo Orival.
De fato, a própria autora fez uma pintura de como seria Feradach, e é... bem diferente do que eu imaginei.
| tirado do próprio site dela |
A missão dele é destruir reinos que estagnaram e não mostram sinais de avanço, pra que assim outro grupo de pessoas tome o lugar e avance, ou alguma coisa parecida, e DunBroch tá na lista. Só que Cailleach, a deusa da criação, se mete no meio da conversa e propõe uma aposta entre Merida e Feradach: a destruição vai ser adiada em um ano, e dentro desse ano, Merida precisa provocar mudanças reais em DunBroch e Feradach precisa mostrar à Merida o que ele faz como trabalho. Se DunBroch for mudada, vai ser salva da destruição.
Coincidentemente, pouco tempo depois, DunBroch é visitada por uma comitiva de um rei bárbaro, o Insano ou Dasachtach, querendo levar a filharada real pra estreitar laços entre os reinos, e Merida propõe fazer viagens diplomáticas entre três reinos pra evitar o sequestro.
Uma situação se juntando à outra, basicamente. E nisso se desenrola o grosso da história, com visitas a reinos distantes e diferentes, enquanto Merida descobre mais sobre sua própria família, os outros reinos, e sobre o trabalho ingrato de Feradach.
Algumas diferenças que temos desde a última vez que vimos os luxuriantes cachos cor-de-outono, os trigêmeos eram basicamente Huguinho Zezinho e Luisinho, ao passo que agora, crescidos, eles tão mais pra Huguinho Zezinho e Luizinho do reboot de DuckTales.
Cada um tem uma personalidade própria e… eu confesso que eu meio que só sabia porcausa das descrições, os nomes deles ainda me soam exatamente iguais e eu não queria gastar energia mental tentando lembrar quem é quem.
Mas se fosse numa mini-série do Disney+ com certeza eu lembraria.
E ainda temos Leezie, uma garota que foi adotada na família e que é basicamente uma irmã pra Merida, e ela… é meio bipolar. E disléxica. E tem DDA.
Eu gosto da Leezie, ela é aquela personagem meio tonta mas que também é bastante leal. A menos que você seja noivo dela. Enfim.
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A forma como a narrativa se desenvolve é… diferente do que eu esperava. Digo, eu não esperava uma linguagem simples como os filmes Disney e Pixar tem sido recentemente, mas é bastante… envolvente.
A autora realmente consegue pegar a base dos personagens, crescer eles de uma maneira onde eles soam familiares, mas ao mesmo tempo crescidos. Também temos mais detalhes sobre Fergus e Ellinor, graças à narração que explica os pensamentos de Merida. É o tipo de expansão de plot satisfatória pra qualquer um que tenha visto o filme, são os mesmos personagens, mas você vê facetas diferentes deles.
Feradach também é um baita personagem. Como deus da destruição, ele aparece diferente pra cada um que o vê, e cada pessoa o vê como alguém que ele matou em algum momento. Exceto Merida, que sempre o vê da mesma forma.
Como eles não podem mencionar a aposta com ninguém, acaba tendo meio que esse elemento ligeiramente cômico mais típico Disney, mas que aqui vira e mexe acaba tendo ares meio dramáticos.
É uma narrativa bem construída, cujos pontos de plot cê consegue lembrar e a narração te lembra naturalmente, sem soar forçado, e que culmina num final que… meio que é forçado pra que certa coisa aconteça dentro do acordo… a forma como a coisa toda se desenrola no finalzinho, mas que ainda tá dentro da personalidade mais impulsiva da Merida.
Eu comprei por tipo 50 conto (ou menos, não lembro, faz 2 anos) e a média de preço é essa mesmo. Tem na Amazon, vou deixar o link de afiliado aqui caso cê queira comprar, ajudar o SRT e… raio, é simplesmente uma boa leitura que eu recomendo.
Eu só volto a questionar de novo: se tem tanto material absurdamente bom publicado pela Disney nos livros, porque raios a gente continua recebendo lixo de alto orçamento? A série Twisted Tales devia ser o remake live action, ao invés de só ser um remake cena por cena só que piorado.
Eu incluiria Twisted Tales aqui, mas eu gosto de manter séries juntas, e isso aqui já tá longo demais. Então vamos deixar pruma outra oportunidade, onde com sorte eu consigo o resto do Disney Chills. Ainda tem outra série da Merida pra jovens leitores que também é divertida, com traços ótimos do GuriHiru.
Aliás, tem algumas adaptações em quadrinhos desses livros, tanto a série da Serena Valentino sobre os vilões quanto Twisted Tales.
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Tesouro Disney - Companheiros de Aventuras
Esse livro foi um dos que me fizeram querer escrever esse artigo. Eu também tive que gastar uma grana comprando os ditos livros, então se você gostou desse artigo, considera dar uma ajuda, mais informações no fim do artigo.
Quando eu era moleque, a gente tinha a Revista Recreio. Era um material semanal com novidades sobre filmes, TV, e matérias educativas sobre animais, geografia, História, e aqueles DIY que a gente sempre achava legal, mas nunca fazia. Igual sua mãe/namorada/esposa que vê uma receita legal de… sei lá, uma lasanha de bacon com churros, manda pra você, e todo mundo acha legal mas nunca faz.
Tesouros Disney é mais ou menos isso, só que ao invés de ter novidades e DIY, é só estória mesmo. Que ainda tem valor educativo, no entanto, e esse era o forte da Disney no seu auge.
Ao invés de fazer uma matéria de duas páginas sobre os alces caribus, ele conta uma história, descrevendo a geografia e flora do lugar, e narrando a vida dos alces e como eles lutam entre si pra tomar as fêmeas e trocam os chifres.
É uma maneira bastante eficaz de ensinar alguma coisa, se me perguntar. Às vezes os fatos podem ser um pouco distorcidos pra criar uma narrativa engajante, mas aí é só dizer que é uma matéria jornalística que tá tudo bem.
Ou simplesmente contam factóides errados, como o clássico caso dos lemmingues suicidas. Nesse caso é só transformar em uma piada em Chicken Little que tá tudo bem.
Nessa edição, tem três histórias mais educativas (O Grito da Montanha, sobre os alces uapitis); Uma Incrível Família, sobre Marie Curie; e Companheiros de Aventuras, sobre um cachorro e um urso que se encontram, e três de fantasia, sendo uma baseada em um clássico da literatura.
Tá, baseado num filme da Disney, mas eles creditam o Livro da Selva e o autor Rudyard Kipling também. Na real, é praticamente um resumaço do filme, começando da parte em que Baguera explica a Baloo que Mogli tem que voltar pra aldeia dos homens. Segue-se então, até o final, onde Mogli descobre o sexo oposto e sua vida vai por água abaixo.
O mais curioso pra mim é ver a adaptação de nomes da época, como Jângal Khan (Shere Khan) e Casca (Kaa). A dublagem que eu via era com os nomes originais, e eu sempre via esses nomes no jogo de DOS, então é bizarro ver Jângal Khan, até porque o nome significa “rei tigre” e foi baseado em um rei persa, ou mongol, ou afegão, não lembro.
Talvez eu devesse ler mais Tesouros Disney, meu nível cultural ia se elevar mais. Certamente eu aprenderia mais do que aprendi na escola.
A história de abertura é O Sumiço do Pluto, onde… o Pluto Some.
…
DIRIGIDO POR GEORGE LUCAS
Ok, Mickey nota que o Pluto sumiu e passa na casa de cada amigo pra pedir ajuda pra procurá-lo. É uma história simples, sem conflito, e que tem menos personalidade do que uma história atual da Turma da Mônica, mas faz sentido pro propósito do livro.
É literalmente uma história pra crianças pequenas, enquanto as outras (sobretudo as mais educativas) são bem mais densas e extensas. Eu literalmente ainda não terminei de ler a última, pra cês terem uma idéia.
Mas é engraçado que o nome da Minnie não é escrito com dois “n”, e ela não é chamada de “tia”, mas Donald e Mickey são chamados de “tio”.
A segunda história é o motivo de estarmos aqui e eu ter comprado esse livro, porque em lugar NENHUM existem scans dele.
Eu poderia ter ido pra Biblioteca Estadual do Ceará ver se eles tem? Sim, se eu não me engano eles tem no acervo todos os livros da série, mas eu não quero correr o risco de andar pelo Dragão do Mar e ser assaltado por um maconheiro estudante de Ciências Sociais. Minha vida já é muito perigosa só de não instalar vírus no computador tentando assistir a sitcoms dos anos 70.
Enfim, tem uns pedaços de lore de Cinderela que são absolutamente bisonhos, e eu agradeço a Deus pelos escritores de antigamente não terem todas as amarras da marca Princesas Disney.
A história é narrada por Zezé (Jaq, caso você tenha visto o filme em inglês ou tenha jogado Kingdom Hearts: Birth By Sleep), que, prevendo os clickbaits e táticas de prender atenção que seriam usadas anos depois por vendedores de SEO, ele diz logo que se não fosse por ele, Colombo jamais teria descoberto a América.
Thiago Braga teria um dia divertido caso soubesse disso.
Ele então conta sobre Ocigam, o mago da corte de Cinderela.
…
O NOME DO MÁGICO
É
OCIGAM
Eu sei que não era a mesma equipe que fazia os quadrinhos Disney, mas pelo amor de Barks, dava pra ter feito alguma coisa a mais aí. Eram os anos 70, chama ele de Magago, Abreu A. Cadabra, Hocus P. Ocus, qualquer coisa!
E sim, ele também explica que o nome dele é “mágico” de trás pra frente. Quem escreveu isso, Marcelo Verde?
Porque ninguém nunca viu Ocigam em nenhuma outra história de Cinderela? Oras, porque ele vive escondido numa torre e nunca sai de lá, que pergunta idiota.
Mas Ocigam também é um mago meio incompetente, o que me faz lembrar do Cedric de Princesinha Sofia, na real. Não sei exatamente como ele é incompetente, porque Jaq só menciona de passagem e logo muda de assunto.
Eu talvez quisesse mais explicações sobre o morcego que vivia na barba de Ocigam, mas ele também passa por isso rapidamente.
Ocigam conta a Zezé e Tatá sobre um queijo mágico que poderia lhes levar a qualquer lugar no espaço e tempo, como a corte de Cleópatra ou a China antiga. Ocigam tenta mandá-los pra lá, pra pegar os segredos mágicos dos chineses, mas acaba os mandando pra a Espanha de 1490.
…específico. Mas o fato do Zezé saber diferenciar a China e a Espanha é sinal que ele é… um rato de livro.
HA-HA!
E graças às Leis da Conveniência Universal, os ratinhos chegam exatamente a tempo de assistir à audiência de Cristóvão Colombo com o rei e a rainha, mas pelo que eles descrevem, ele é um péssimo vendedor e narra seu pitch de maneira tão monótona quanto a leitura de Moby Dick.
Talvez ele precisasse de um coach de SEO, sei lá.
Eles deixam um bilhete no… aparador? Que raio é isso? Enfim, na caixa de jóias, dizendo que ela deveria financiar a expedição do colombo. A rainha então fica assustada e chama os guardas, e isso se sucede por dois dias, porque segundo Jaq, as rainhas se assustam por qualquer coisa.
Eu tou mais impressionado que os ratos sabem ler e escrever.
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Eles então se escondem por trás dos quadros dos antepassados da rainha e berram que ela financie a expedição de Colombo, e isso, de alguma forma milagrosa, funciona!
Digo, são ratos que conseguiram falar com humanos por trás de quadros imensos mesmo tendo pulmões do tamanho de uma uva passa! Deus abençoe as leis da física!
Missão cumprida bem a tempo deles não serem engolidos pelo gato real, e eles voltam pro castelo francês no laboratório de Ocigam.
Eu gosto muito que eles dão a desculpa que o Ocigam fica tão decepcionado que a barba cresce e o chapéu muda de cor pra justificar o design dele na ilustração.
O negócio é que ATÉ O ROSTO DELE MUDOU! Como raios isso funciona? Ocigam é um título e o Ocigam anterior foi sentenciado à morte e outro mago assume o posto com as mesmas memórias?
…
É uma explicação tão boa quanto qualquer outra. Pelo menos é a explicação que eu dou pro fato que cada vez que o Chubby aparece em Boy Meets World, é interpretado por um ator diferente.
Also, fizeram basicamente um recolor do merlin, que troço bisonho e meio preguiçoso.
A história termina com Ocigam querendo transformar batatas em pedras preciosas e o gato rajado em branco.
Não sei o que uma coisa tem a ver com a outra, mas os ratinhos o fazem usando farinha
Talvez esse final inteiro tenha sido pra aproveitar as ilustrações não relacionadas umas com as outras, não seria uma justificativa fora do comum.
O que eu mais gosto nessa história na real é expandir um pouco o universo de Cinderela. Jaq e Gus eram basicamente os protagonistas do filme anyway, então faz sentido ter eles como protagonistas em outras histórias (era bem comum nos quadrinhos, aliás).
E outra, se fosse nos quadrinhos, a função de Ocigam provavelmente seria passada à Fada Madrinha por nenhum motivo aparente. Então, pelo fato de criar um personagem novo que combina com o universo aqui retratado, eu o saúdo!
…embora tudo ainda seja muito sem pé nem cabeça.
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Cinderela e os Zútulos
Esse foi o outro livro que me fez querer fazer esse artigo.
Zanzando pelas lojas online, eu acabei me deparando com títulos mais voltados pro público infantil, e que não traziam nada de mais. Soavam como meras adaptações dos curta ou filmes em que eram baseados.
Inclusive, eu lembro de ler um desses na primeira ou segunda série, baseado em Se Minha Cama Voasse. Eu não lembro de muita coisa, porque peguei na “bibliotequinha” que mantinham na sala, e lembro mais das figuras. Especificamente a da Angela Lansbury como gato passando por soldados nazistas.
Top 5 filmes que não aconteceriam hoje, ainda bem que não existe uma ride nos parques baseada nesse filme (embora a idéia seja do balaco baco).
Talvez fique pra Abu Dhabi, sei lá.
Enfim, quando eu vi o nome “Cinderela e os Zútulos”, eu tive a exata mesma reação que você tem. É engraçado como essa é uma das poucas coisas onde todo mundo reage da exata mesma forma, eu, você, e até meu pai teve.
“O que raio é um zútulo?”
EXATAMENTE! E como não achei scans desse livro, eu tive que ir atrás de comprar um num preço acessível. De fato, eu tive que trackear por um tempo esse e o livro anterior, então se você gosta do meu trabalho, considera dar um apôio seja assinando o Post Blogum ou por doação mesmo.
Sem mais delongas, ao livro!
Nossa história começa depois dos eventos de Cinderela de 1950, e antes de Cinderela 2 e Cinderela 3, que nessa época não eram sequer um vislumbre de Michael Eisner. Cinderela vive seu felizes para sempre com o Príncipe, em seu castelo sombrio no final do que outrora fora uma montanha sinistra.
…perdoem meu francês, mas que filombetagem é essa??
Eu joguei Kingdom Hearts: Birth by Sleep o suficiente pra reconhecer o domínio da Malévola, e eu sei que é isso aí, só que com um castelo novo que se parece com o castelo do Rei em Cinderela.
Digo, o design do castelo é surpreendentemente próximo do filme, só que laranja… o que eu imagino que deva ser devido às texturas reflexivas do castelo ao entardecer, mesmo que na cena estejamos à noite. Mas eu lembraria se o castelo da família Encantado fosse do mesmo arquiteto do Conde Drácula e do Dr. Frankenstein da Turma da Mônica!
Mas ok, é um erro visual, certamente eles não vão cometer nada no texto, certo?
As meio-irmãs da Cindy resolvem atazanar a vida da princesa, por motivo nenhum exceto que elas tem inveja dela. E eu entendo que elas não são malignas, só chatas e obnóxias, certamente não vão fazer nada de muito exagerado, certo?
Certo??
Anastásia e Drizela então mandam uma mensagem pra Cindy se passando pela Fada Madrinha, dizendo que ela está muito doente a ponto de não conseguir andar. E manda que ela vá sozinha, pois só Cindy sabe o esconderijo dela.
Alguns problemas aqui.
1- Mesmo desconsiderando Cinderela 3, eu não sei o quão próximo as meio-irmãs e a Fada Madrinha devam ser. Não sei se Cinderela alguma vez chegou a mencionar a Fada Madrinha publicamente pós-eventos do filme, e não sei porque ela o faria.
2-Considerando que elas tem conhecimento da Fada Madrinha, é um chute MUITO alto supôr que o esconderijo dela é numa floresta sombria, sendo que… ela é uma fada madrinha. Nem vou entrar aqui nas implicações mágicas do povo faerie e das divisões hierárquicas e de função das fadas propriamente ditas, caso contrário estaríamos aqui o dia inteiro.
3-Cinderela de fato foi sozinha, o que implica que sim, o esconderijo da Fada Madrinha é numa floresta sombria, ou Cindy teve o QI reduzido após os anos de cativeiro conversando unicamente com animais.
4-Cinderela foi sozinha, se a Fada Madrinha estivesse em apuros, ela provavelmente teria avisado ao Príncipe e pelo menos ido com alguma guarda real. A menos que ela quisesse manter o esconderijo e/ou a existência da Fada Madrinha um segredo. Nesse caso, ela não teria exposto partes de sua história publicamente e as irmãs não saberiam sobre a Fada Madrinha.
Ignorando todas minhas observações, o plano das irmãs dá certo, e elas capturam Cinderela, após BOTAR UM SACO PRETO NA CABEÇA DELA.
Eu não conseguiria escrever algo engraçado assim mas nem se o espírito do próprio Amer do Blog do Amer estivesse no meu ombro.
Mais rápido do que você possa fazer uma piada de Tropa de Elite, as irmãs matam um pato e mancham a capa de Cinderela com o sangue do pato, e assim dizem que algum bicho selvagem matou Cinderela.
ELAS DÃO UMA DE IRMÃOS DE JOSÉ!!!!
O que nos dá duas informações: em algum momento da vida delas, elas frequentaram a igreja (ou são fãs de Andrew Lloyd Webber); e caramba, elas sabem ler!
Also, a própria imagem da Anastasia segurando uma capa manchada de sangue é algo bizarramente surreal. Que outro momento você poderia ver um personagem clássico Disney com um plano tão maléfico, uma tramóia tão maquiavélica, com resultados tão absurdos assim?
Eu acho que, de cabeça, a única produção Disney que mostra sangue é Procurando Nemo.
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As irmãs então abandonam Cinderela no alto da torre perdida mais bem cuidada da montanha do bosque sombrio, porque geografia é coisa de frutinha. Elas abandonam Cinderela e esperam que a fome a mate definitivamente.
Lembrando que tudo isso é feito porque Cinderela era feliz e elas não.
Aliás, cadê a Madame Tremaine? Ela ainda não apareceu nessa história, se bobear tá tomando chá com a Malévola, se considerar as regras de Once Upon a Time.
E então, o Príncipe Filipe se preocupou com a demora de Cinderela em voltar de… seja lá onde ela disse que tinha que ir, e levou uma escolta de 100 homens, e encontra a capa de Cinderela manchada próxima de pegadas de lobo. Obviamente, ele deduziu que ela tinha sido morta, já que ele também é um bom cristão fã de musicais.
…
Pera, Príncipe FILIPE???
FILIPE É O PRÍNCIPE DA BELA ADORMECIDA!
QUEM ESCREVEU ISSO, PELO AMOR DE JAMES WOODS??
Esse tipo de coisa não aconteceria num ambiente super controlado por comitês como é agora, cada palavra de um livro desses seria criteriosamente escolhida pra manter a lore e um suposto bem-estar dos pequenos leitores, então confundir os nomes dos personagens ou mostrar os vilões sendo maus seria incrivelmente difícil caso fosse produzido hoje.
Sim, existe uma lore a ser seguida. Não, nem sempre faz sentido, mas até onde eu vi, dificilmente eles vão contra algo mostrado nos filmes, porque crianças são extremamente atentas.
Crianças e nerds com autismo em algum grau com mais de 20 anos, isso é.
Eu ouvi ex-CMs amigas de Princesas contando que foram pegas de surpresa, porque um monte de menina veio perguntar pra elas sobre os cavalos delas. Mas não era o Sansão ou o Maximus ou Khan, mas os cavalos de uma coleção nova que foi feita pra rivalizar com Littlelest Pet Shop e My Little Pony em meados dos anos 2000.
Elas tiveram que improvisar um grupo de estudos na hora do almoço pra pesquisar sobre os brinquedos e decorar o nome dos animais respectivos de cada Princesa.
E aí a marca foi cancelada e esquecida nos anais do tempo.
Enfim, erros de escrita à parte, olha que Príncipe mais bisonhamente desenhado. Não só ele tem a mesma expressão de um pastel de carne do Leão do Sul, como os lábios dele tão inchados e com formato de boca feminina.
Eu não sabia que o Kadoya Tsukasa tinha interpretado o Príncipe da Cinderela. Na real, explica muita coisa, não foi em Bravely, mas em Cinderela que ele foi parar.
Pelo menos o lápis de olho tá igual ao do filme.
O Príncipe então entra em depressão profunda e paralisante, e como ele não tem televisão e ainda não tinham inventado a luta livre profissional, ele passa os dias olhando pro céu, esperando… alguma coisa.
Quem diria que um livro infantil Disney dos anos 70 descreveria tão bem a depressão com tão poucas palavras.
Cinderela se debruça na janela, implorando misericórdia das irmãs dela, se segurando pra não se jogar lá de cima.
Até que ela ouve o main event, os zútulos!
O livro descreve os zútulos como aves que não existem mais, que conveniente. Mas eles se parecem com melros.
…
O QUE RAIOS É UM MELRO???
Ok, segundo o Google, o melro é um pássaro do gênero turdus, algo que seria um prato cheio pra James Rolfe fazer pelo menos duas páginas de piadas. Eles se parecem com corvos, só que mais elegantes. Melros tem cara de que teriam um empreguinho no escritório das 8 às 5, enquanto corvos frequentariam pistas de skate, encontros góticos regados a vinho São Braz e bolacha Trakinas, e a Roda Punk dos Docinhos aos finais de semana, e upariam os vídeos disso no YouTube.
Só que os zútulos tinham uma crista vermelha e um bico verde, porque é claro que sim.
Cinderela tenta conversar com os pássaros, mas fracassa, o que… bom, ela literalmente conversava com ratos e eles audivelmente se comunicavam em inglês… ou francês… ou seja lá que idioma era falado originalmente lá.
…parando pra pensar, se Cinderela conseguia ativamente se comunicar com animais a ponto de ensinar um idioma humano pra eles, isso significa que ela foi o Dr. Dolittle antes de Dr. Dolittle?
E aí eu lembro que quando ela resgata o Gus ele já falava alguma coisa de humanês, então sei lá.
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Falando nisso, o livro descreve Cinderela implorando ao zútulo que fique, com a voz cansada de chorar. No segundo dia, o zútulo volta, mas Cinderela já não tinha mais voz de tanto chorar e responde com um pio.
Imagina o que se passou na cabeça dela, as próprias irmãs fazerem isso com a pobre por literalmente motivo nenhum. É um trauma digno de ser explorado por um filme dos Irmãos Cohen!
Provavelmente. Eu nunca vi um filme deles.
DRAMA! EM UM LIVRO INFANTIL! DEUS COMO EU SINTO FALTA DE GENTE QUE SABIA O QUE TAVA FAZENDO!
“Kapan você passou pelo menos dois parágrafos tirando sarro porque eles trocaram o nome do príncipe” IRRELEVANTE AO MEU ARGUMENTO
…onde eu estava? Ah, é. Os zútulos voltam no terceiro dia, e a Cindy tá tão física e mentalmente esgotada, que a única comunicação que ela consegue fazer é piar em pensamento.
O zútulo entende e volta com um morango no bico.
Viu? Eu disse, Dr. Doolittle! E mentecapta!
Ela continua piando telepaticamente pros zútulos, que agora voltam de rruma trazendo um monte de frutinha pra ela. Como as irmãs só vêem os pássaros e não ouvem mais Cinderela chorando, presumem que ela morreu e vão embora, satisfeitas.
E você achou que The Ugly Stepsister era brutal.
Cinderela então começa a piar que ela queria sair da torre, e se tinha como os zútulos avisarem o Príncipe Filipe, mas ele talvez nem soubesse se comunicar com eles, e eles provavelmente errariam o endereço.
Ela também não parece se comunicar bem com eles, porque eles ficam voando ao redor da torre, mas Cindy permanece confusa.
E é por isso que nós jogamos jogos de plataforma desde pequenos, qualquer um que visse um caminho pulável de pássaros guiando pra fora de uma torre sem saída teria plena noção do que fazer em seguida.
Ok, vocês não vão acreditar o que acontece depois disso. Os zútulos começam a puxar os fios de cabelo de Cinderela. Ela lentamente entende o que eles pretendem fazer, e então… os zútulos levam Cinderela pelos cabelos até o castelo.
O que nos dá essa imagem espetacular:
| GLORIOUS! |
Eu literalmente não consigo pôr em palavras a reação que eu tive quando li isso da primeira vez. É uma solução absurda demais, extravagante demais, mesmo pra um livro infantil que tem tantas regras quanto uma partida de RPG.
O traço meio capenga e fora do model sheet, mas fazendo o melhor que pôde pra parecer com o do filme é a cereja do bolo, Cinderela não parece estar sentindo dor e a forma que eles puxam os cabelos dela desafiam todas as leis da física. É maravilhoso e eu queria ter essa imagem emoldurada pra pendurar... talvez não na sala. Jardim de inverno parece uma boa opção.
Mas isso acontece, e eles a levam de volta pra casa, onde o príncipe novamente volta ao seu estado normal e Cinderela lhe conta tudo o que aconteceu.
Eu gosto que o livro parece saber que o tempo dele acaba e simplesmente diz que Anastasia e Drizela ficaram furiosas com o fracasso de seu plano, e receberam a merecida punição.
Quem as puniu? Como as puniram? Porque raios ninguém meteu as duas numa masmorra e jogaram a chave no oceano? Eu ACHO que o que elas fizeram conta como alta traição em pelo menos dois condados diferentes, considerando se o mundo das fadas tem falsidade ideológica em seu código penal.
Curiosamente, essa história tem um pouco em comum com a Cinderela Irlandesa, no sentido que uma das irmãs faz mal pra irmã Cinderela, tentando matá-la de algum jeito. A diferença é que em Bela, Morena e Trêmula, a outra irmã quer ficar com o Príncipe, já que ela é convenientemente semelhante à “Cinderela”, no caso, a Trêmula.
Eu esperava só descobrir o que raios eram os tais Zútulos, mas o que eu descobri foi algo muito melhor. Esses livrinhos são fruto de uma geração totalmente diferente da nossa, marcada pelo alto controle de marca, onde qualquer decisão é limitada por um conselho de branding que exige que certas exigências sejam cumpridas.
Raios, a Cinderela aqui tem seu cabelo na cor original, um glorioso laranja claro. Mas não só isso, a arte do livro é muito bonita, com formas angulares, traços grossinhos e uma pintura de qualidade, com alma, espírito. É uma aquarela ou algo parecido, sei lá o que é, mas eu sei que é bonito.
E eu não quero manter isso só pra mim. Eu tive mó trampo de achar esse livro, e praticamente não existem scans dele.
Até hoje.
Vou disponibilizar no web archive pra quem quiser ler, tanto Cinderela e os Zútlos quanto Tesouro Disney, ao menos a edição que eu tenho. Vai demorar um pouco pra eu upar Tesouro Disney, porque é um livro bem mais longo que Cinderela e os Zútulos, mas assim que tiver, eu atualizo esse post.
Tem alguma sugestão de livro Disney que eu possa comentar aqui? Ou um quadrinho Disney surreal envolvendo os personagens dos filmes? Deixa nos comentários, que talvez apareça numa próxima edição.
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