Kapan Komenta 55 - O Fim da Archie Comics

 



Archie Comics tá com o pé na cova.

Em 2022, Jonathan Goldwater (co-dono da editora) pegou um empréstimo de 40 milhões de dólares com a Raven Capital. No meio do caminho teve suicídio, processo, ameaça de leilão da participação dele na empresa e uma briga judicial que ainda está rolando. Eu fui atrás de entender o que diabos aconteceu.

Nesse episódio eu faço um panorama da Archie Comics: o que ela é, como sobreviveu décadas vendendo gibi em supermercado, os crossovers absurdos, a fase Life with Archie, as produções pra TV, o impacto (e o estrago) de Riverdale, e como a editora chegou nesse momento de crise financeira profunda.


Também falo sobre o que a Raven quer fazer com a fatia da empresa e os direitos de personagens secundários (Sabrina, Josie e as Gatinhas etc), e por que não existe um cenário fácil de vitória pra eles agora.

Ouve o episódio depois do break:

Aquela série 3D do Homem-Aranha


Aquela série 3D do Homem-Aranha que a MTV exibiu em 2003 é uma das animações mais esquecidas da era pré-MCU.

Vocês jovens não fazem idéia do que era um mundo pré-MCU.

Quando eu era moleque, haviam quadrinhos de herói pra comprar, mas eles eram muito complexos (dependendo da idade), ou difíceis de achar, dependendo de onde você morava.

A geração anterior à minha tinha acesso a uma enxurrada de títulos, mas o pessoal da minha idade conhecia apenas alguns personagens, seja porcausa do jogo do Homem Aranha de SNES, ou pelo desenho do Batman do Bruce Timm, ou porque ganhou um boneco de camelô da tia, ou pelos jogos de luta, ou se herdaram a coleção de um tio cuja esposa o obrigou a se desfazer porque não queria estar casada com um "crianção", e ao invés de pedir o divórcio, acatou as ordens da patroa e cortou fora suas bolas.

Eu tive a sorte de presenciar um momento de transição, quando super-heróis eram relativamente familiares ao grande público, mas também havia uma certa resistência do mainstream.

Raios, o trailer do primeiro filme de X-Men vendia o filme como uma ficção científica, e fez questão de botar todo mundo num collant preto, porque ninguém levaria a sério um monte de gente colorida trocando sopapo numa história que tentava tratar de temas sérios. O que é isso, Power Rangers?

Digo, já tinhamos alguns filmes de super-herói, mas os filmes do Superman foram decaindo a cada nova adição, tal qual os do Batman... e às vezes você tinha algo como Steel.

Mas o filme que mais ajudou o público normie a receber o conceito de super-herói, definitivamente, foi Homem-Aranha de Sam Raimi. Ele tem momentos de drama e ação com uma camada de galhofa típica de quadrinhos que foram... relativamente bem executados! Relativamente!

E é claro que a Sony/Columbia/Coca-Cola tinham que manter os fãs cativos e novatos entretidos com o personagem até o próximo filme, e além dos jogos tie-in e reprise da série dos anos 90, bancaram uma série animada nova, especificamente pra uma demografia que talvez nunca fosse se aproximar de heróis fantasiados: a MTV.

E... tem mais história por trás disso.

Rato Plus 25 - Flora & Ulysses


Mais um Rato Plus, porque eu lembrei que um monte de filme Day One existe e eu não toquei neles.
Dessa vez, um filme que a maioria das pessoas nem lembra que existe: Flora e Ulysses, original do Disney+ de 2021.

Uma menina cínica salva um esquilo ganha poderes de herói depois de ser engolido por um aspirador e ser ressuscitado via respiração boca a boca.

…é melhor do que eu faço parecer, eu juro.

No episódio eu falo:

  • Como o filme trata o divórcio sem transformar a criança numa amargurada completa
  • O esquilo super-herói e a relação estranha (e divertida) que a menina cria com ele
  • A avalanche de product placement da Disney (DuckTales, Capitão América, Kylo Ren, Toy Story e até PJ Masks)
  • Por que ele parece um filme do Disney Channel com orçamento um pouco maior
  • E a clássica situação Disney+: o filme sumiu da plataforma

É leve, previsível e gostosinho. Do tipo de filme que você coloca numa tarde sem expectativa e no final pensa “poxa, até que foi legal”. Não vai mudar tua vida, mas é um filme genuinamente divertido pra crianças que dá pra ver junto e se divertir junto.

Se você gosta de caçar coisas meio esquecidas da Disney, esse pode surpreender.
Ou não, sei lá. Ouve o podcast depois do break:

Kapan Komenta 54 - Uma Disney, o novo projeto de D'Amaro

A Pixar acabou de fatura quase 1,4 bilhão com Hoppers e Toy Story 5… e no mesmo mês a Disney anuncia a terceira rodada de layoffs do ano, com a Pixar entre as mais atingidas. E segundo o que circulou, o departamento mais afetado foi o de História.

No episódio eu comento:
  • Por que Hoppers (Cara de um Focinho do Outro) fez dinheiro, mas não deixou marca cultural
  • A qualidade irregular dos últimos filmes da Pixar (Helio, Elemental, Turning Red, Luca, Soul, Onward, Toy Story 4…)
  • O que a demissão em massa no departamento de história realmente significa
  • A estratégia “One Disney” do Josh DiMaro e se ela ainda funciona no mundo de 2026
  • A lição esquecida da Touchstone Pictures (filmes baratos com roteiro absurdo de bom)
  • Ideias meio malucas (mas necessárias) pro Disney+: quadrinhos, jogos em Flash e um app que não tente engolir tudo
Ouve depois do break:

Kapan Komenta 53 - Como a Disney Matou Moana em menos de 10 anos

 

A Disney tem um dom especial: ela pega conto de fada clássico, transforma em ouro e depois consegue transformar esse ouro em lixo. Também compra IP boa e consegue desvalorizar mais rápido que o cruzeiro real.

Mas o caso de Moana é outro nível. A Disney não pegou uma história antiga. Ela criou uma IP nova em 2016, fez ela virar um dos maiores sucessos da casa, e mesmo assim conseguiu estragar tudo tão rápido que o remake live-action de 2026 tá sendo tratado como um dos piores que ela já fez.

No episódio de hoje eu explico como e por que isso aconteceu. Por que o filme tá sendo massacrado pela crítica, o que isso revela sobre a estratégia atual da Disney com remakes e se eles conseguiram matar o interesse do público nesse tipo de produção de uma vez só.

Ouve depois do break:

Mestres do Universo 1987 vs 2026: Do Fracasso Cult ao Filme que Finalmente Entendeu He-Man


He-Man é uma franquia que não precisa de apresentações, assim como Chaves. Se você mora no Zimbabwe e não tem acesso a eletricidade, talvez não conheça as aventuras do príncipe Adam e sua trupe de amigos cujos nomes consistem em trocadilhos imbecis.
É uma obra simples, mas complicada, que nem Cats.

Eu sempre gostei de definir como Conan no Espaço, mas é um pouco mais que isso. É um sci-fi pulp brinquedável, algo em meio termo entre Flash Gordon e Star Wars. 

Temos elementos clássicos de fantasia sword and sorcery, como o bárbaro fortudo usando roupas sumárias, porque armadura é coisa de covarde; monstros com designs familiares, mas memoráveis; beldades que são fortes, mas não tanto quanto nosso protagonista com músculos tão desenvolvidos que fariam Oba Femi parecer o Pequeno Hiawatha; e um vilão vindo do quinto dos infernos cujo único propósito é a dominação total e irrestrita ao mundo.

E ainda assim, temos raios laser, robôs, prédios que tiveram a mesma empreiteira dos Jetsons, e veículos vendidos separadamente.
É absurdo, é irreal, é exagerado, é tudo que um garoto de 10 anos pra baixo gosta, e é isso que o torna divertido.

Menos pra mim, porque quando mais novo eu sempre preferi She-Ra. Eu não fui ver He-Man direito até meus 17 anos, graças ao finado Tooncast, que descanse em pança. E ainda assim eu sempre achei meio meh comparado às aventuras de Adora, irmã do protagonista.
Mas isso é assunto pra outro dia.

O importante é que, nos anos 80, a Canon produziu um filme de Mestres do Universo, tendo Dolph Lundgreen como He-Man e uma jovem Courtney Cox como a mocinha. E Frank Langella como Esqueleto.

Eu sei, o nome não significa nada pra vocês, e minha pausa dramática perdeu todo o efeito. Mas ele é um ator de calibre que já interpretou Nixon uma vez.
E o Esqueleto foi o papel favorito dele.
Pois é.

E aproveitando o lançamento do novo filme com o príncipe daquela Cinderela zoomer, a nãoVeronica de Riverdale do CW, e Idris Elba, eu decidi que era hora de fazer um dive na franquia.

Por "dive" entenda "não é um deep dive e eu só vi o suficiente pra que as referências do filme façam sentido, mas aprendi umas coisas interessantes no caminho".

Mas primeiro, vamos ver como a franquia foi retratada nas telonas em seu prime.
...não o Amazon Prime, o prime de época, ápice. Vocês precisam ler um dicionário de vez em quando.

Scooby-Doo! Mistério na Wrestlemania - Dos crossovers estranhos da WWE


A WWE anunciou eventos na América Latina!

...nenhum no Brasil.
...
A WrestleMania foi nesse final de semana!
...enfiaram um monte de celebridade sem precisão...
...
Tá, foi mais a storyline com o Pat MacAfee que me incomodou profundamente. De resto, foi uma Wrestlemania razoável, teve uns bons momentos.

Ainda assim, o clima de WrestleMania é legal, e cameo por cameo, teve um filme do Scooby-Doo com os astros e uma estrela da WWE, o Wrestlemania Mystery! Que por algum motivo insistiram em traduzir pra Lutamania!
...Santo Oz de antimatéria...

E enquanto o governo brasileiro não faz as pazes com Chris Jericho (que tá na AEW agora, mas enfim), é sobre isso que eu vou escrever hoje!

Booyaka!

Luz do Mundo (Light of the World)


Eu sempre fui muito resistente a escrever sobre filmes bíblicos aqui no blog. Não por não assistir muitos (o que realmente não faço, por N motivos), ou por não gostar deles (eu gosto de alguns), mas porque meu crivo pra esse tipo de filme é extremamente crítico e o artigo não seria divertido ou interessante o suficiente.

Um desafio assim sempre é bom, mas é o tipo de coisa que me daria trabalho demais pra ter um resultado que não estaria ao nível ou estilo do resto do blog. Talvez algo pro Post Blogum funcione, mas divago. Se quiser algo mais sério, eu recomendo o canal do Ryder the Omniscient, ele fala tanto de filmes cristãos como não-cristãos.

Mas estou abrindo uma exceção pra Luz do Mundo, porque é um filme muito fora da curva, sobretudo pro que se espera sobre um filme familiar sobre a história de Jesus.

E foi dirigido por Tom Bancroft, o designer do Mushu e animador principal de Pocahontas! Hooray!

[Mês do Dr. Seuss] The Grinch (PS1)


A transformação de um personagem no imaginário coletivo é algo que lembra muito um cabo de guerra.

Vejam Mickey Mouse, que era um malandro de bom coração e ligeiramente malino, que se tornou o protótipo do bom mocismo até a esterilização total em Clubhouse. A companhia mudou sua personalidade e o público geral meio que aceitou. O Mickey dos quadrinhos é diferente, no entanto, e caso esse Mickey seja mudado, o público de quadrinhos não vai aceitar.

Embora ninguém mais leia gibi hoje, exceto um grupo seleto de gente de bem que acessa a Gibiteca e similares.

Com o Grinch, algo parecido aconteceu. No livro, ele é um completo desgraçado, pestilento, com um aspecto tão repugnante que te lembraria aquele seu tio torcedor do Ferroviário que trabalha há 40 anos no mesmo emprego morto e que há pelo menos 20 não vê um brilho no olhar ou um sabonete.

No especial animado de Chuck Jones, ele ainda é o completo desgraçado do livro, só que pelo menos ele parece tomar um banho ou dois, o que é compensado por uma péssima higiene bucal.

O filme de 2000 com Jim Carrey exagera completamente as características do desenho, ao invés do livro, e toda a referência que se tem hoje é o filme de 2000, porque o social media da Dr. Seuss Inc é completamente desregulado mentalmente.
Não posso debater com resultados tho.

A mesma coisa dá pra ser aplicada com o Cat in the Hat, mas é assunto pra outro dia.

O importante é que, entre o filme de 2000 e o especial de Chuck Jones, há um elo perdido. Um jogo de PlayStation 1 publicado por ninguém menos que a Konami, de todas as empresas.

E é um jogo tão repugnante quanto o Grinch do livro.

[Mês do Dr. Seuss] Os Sneetches (Netflix, 2025)


Dr. Seuss não era um mero escritor para crianças, e se você já leu alguma coisa dele com atenção, notaria isso.
Ou se já é leitor antigo da Casa do Chapéu.
...
É uma forma carinhosa de se referir ao SRT, caso não tenha notado.

O Grinch tem uma mensagem bastante óbvia, mas com uma criatividade ímpar na narrativa, e eficaz pra sua época. O Lorax consegue explorar a consciência ecológica de uma maneira inteligente sem soar preachy (ao contrário do filme da Illumination). E tudo isso com histórias interessantes para crianças, e que tinham um valor educativo real em relação ao idioma.

Porém, o velho Geisel era mais que isso. Ele passou anos como cartunista político, e ao contrário dos Latuffs e Maurícios Ricardos de hoje, ele era de fato inteligente e sabia como provocar o pensamento crítico sem ser arrogante, retardado, ou os dois.

E pra turma que adora dizer que "toda arte é política", vão brincar de pingue pongue no inferno. Mas, The Sneetches é uma das obras mais políticas que Ted já fez, só que as comparações referentes à perserguição dos judeus na Seunga Guerra ficam mais na superfície, com uma mensagem geral apolítica e aplicável de maneira mais ampla.

De novo, baita escritor habilidoso.

Enfim, a Netflix tentou adaptar esse livro.
...
PUNCHLINE!