[Mês do Dr. Seuss] Pontoffel Pock, Where Are You?


Como vocês devem saber, Dr. Seuss teve alguns de seus livros adaptados pra especiais na TV, a maioria pelo estúdio DePatie-Freleng, que vocês devem conhecer pelos desenhos da Pantera Cor-de-Rosa, Super 6, e alguns desenhos dos Looney Tunes.

“Pontoffel Pock, Where Are You?” foi uma das últimas animações produzidas pelo estúdio antes de serem vendidos pra Marvel. Assim como outros especiais, “Pontoffel Pock” é feito exclusivamente pra TV, não tendo sido baseado em livro algum.

E… É… Okay?



A história conta sobre Pontoffel Pock, que consegue um estágio na fábrica de picles, cuja função é de puxar o puxador e empurrar o empurrador.

E ainda assim, Pontoffel Pock consegue empurrar o puxador e puxar o empurrador, se tornando o pior estagiário da História e tendo a demissão mais rápida desde o cancelamento de Turn-On.

*wah_wah.mp3*

Então Pontoffel é visitado por um baixinho de bigode e chapéu helicóptero que age como uma fada madrinha para Pock, e o dá um piano voador que o levará a qualquer lugar do mundo.
São 3:10 da madrugada enquanto eu escrevo isso, eu não tenho condição de questionar nada aqui.


Enfim, Pontoffel Pock começa a viajar pelo mundo, e chega num país que se parece com a Alemanha, onde todo mundo aparentemente gosta dele. Até que ele começa a dar uns rasantes e a população o expulsa. O padrinho mágico dá outra chance a Pontoffel, que acaba parando na arábia, onde conhece uma princesa que é a melhor dançarina de olhos do mundo.

E é nesse ponto que percebemos que Seuss deveria estar usando uns tóchicos ilícitos na hora do brainstorming.

Não parece, mas eu juro que é
pior que em Encantada, onde o romance era
propositalmente apressado.

Os dois imediatamente se apaixonam, e Pontoffel parte para salvá-la. Mas como é um inútil, deixa ela cair durante o voo e vai parar no Pólo Norte… Ou Sul, sei lá, o Pólo que tem urso polar.

Tinha essa informação numa historinha do Cássio e Nimbus, mas como o site da Turma da Mônica acabou com o arquivo de HQs, não tem como eu ir ver.

Enfim, todos os padrinhos mágicos do mundo começam a procurar Pontoffel, que fica pulando de país em país procurando voltar pra princesa, até que ele finalmente a resgata, as fadas o levam de volta à sua cidade natal, onde ele finalmente aprende o ofício de usar lógica básica e vira empregado da fábrica de picles.


Então, meninos e meninas, o que aprendemos hoje?

Se você faz um trabalho simples e braçal, tente aprender a fazê-lo, ou você pode ter uma viagem muito loca pelo mundo em um piano.


Então… É, o especial é meio… Sem foco. E apressado.

O roteiro não te dá tempo pra conhecer os personagens e muito menos apreciar as cenas, as coisas acontecem e vão embora muito rapidamente. O que funciona pra um livro infantil, já que ele tende a ser mais simples e com menos elementos.
Mas quando essas mesmas histórias são adaptadas, têm-se que criar elementos novos, personagens novos, expandir um pouco a história, porque são tão poucos elementos que não servem pra preencher o espaço do filme ou especial.

Aqui, nós temos quase o mesmo tanto de elementos de um filme em um especial de 20 e poucos minutos.


O que é uma pena, porque os conceitos são bons. Eles tentam ser algo que lembra muito o estilo dos livros, mas ao mesmo tempo tentam ser uma história mais completa, com mais personagens e eventos. No entanto, nós não temos tempo pra entender esses personagens, por mais simples que sejam.

Nos livros, é fácil nos afeiçoarmos ao Grinch, ou ao Gato, ou ao Onceler, porque o desenvolvimento deles é mais expresso, a história é contada junto com apresentação e desenvolvimento deles. Aqui, o que sabemos de Pock é que ele herdou uma casa em frangalhos da família e que ele fracassou no emprego mais simples do mundo.

Outra coisa que falta muito é a típica escrita Seussiana rimada. Os diálogos são esquecíveis, mas principalmente porque os personagens são tão planos que você não se importa pelas coisas legais que eles fazem.


É simplesmente uma animação totalmente esquecível e com aquele sentimento de incompleta, de ser apenas um rascunho. O que é uma pena, as ideias poderiam ter sido melhor trabalhadas.

A animação não é ruim (é só a típica animação travada do estúdio, mais ou menos como as animações stop motion da Rankin-Bass, com ênfase no “stop”); as músicas são esquecíveis (fora a das instruções do Pullun-Pushun); os visuais são até criativos; mas o ritmo é extremamente apressado, que acaba prejudicando todo o resto.

Se você tem realmente curiosidade em ver, é entusiasta do Doutor, são só 25 minutos, talvez não faça tanta diferença. Caso contrário, eu recomendo com força que passe longe, não estás perdendo nada.


E na próxima semana, resenharei um dos livros mais estranhos já concebidos pelo Doutor. Até a próxima!

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