A transformação de um personagem no imaginário coletivo é algo que lembra muito um cabo de guerra.
Vejam Mickey Mouse, que era um malandro de bom coração e ligeiramente malino, que se tornou o protótipo do bom mocismo até a esterilização total em Clubhouse. A companhia mudou sua personalidade e o público geral meio que aceitou. O Mickey dos quadrinhos é diferente, no entanto, e caso esse Mickey seja mudado, o público de quadrinhos não vai aceitar.
Embora ninguém mais leia gibi hoje, exceto um grupo seleto de gente de bem que acessa a Gibiteca e similares.
Com o Grinch, algo parecido aconteceu. No livro, ele é um completo desgraçado, pestilento, com um aspecto tão repugnante que te lembraria aquele seu tio torcedor do Ferroviário que trabalha há 40 anos no mesmo emprego morto e que há pelo menos 20 não vê um brilho no olhar ou um sabonete.
No especial animado de Chuck Jones, ele ainda é o completo desgraçado do livro, só que pelo menos ele parece tomar um banho ou dois, o que é compensado por uma péssima higiene bucal.
O filme de 2000 com Jim Carrey exagera completamente as características do desenho, ao invés do livro, e toda a referência que se tem hoje é o filme de 2000, porque o social media da Dr. Seuss Inc é completamente desregulado mentalmente.
Não posso debater com resultados tho.
A mesma coisa dá pra ser aplicada com o Cat in the Hat, mas é assunto pra outro dia.
O importante é que, entre o filme de 2000 e o especial de Chuck Jones, há um elo perdido. Um jogo de PlayStation 1 publicado por ninguém menos que a Konami, de todas as empresas.
E é um jogo tão repugnante quanto o Grinch do livro.